O despertar

POESIA

por Paulo José Brachtvogel

No anoitecer gélido,

acomodado junto ao supedâneo

contemplo a construção simétrica e harmoniosa,

com colunas e pórticos jônicos,

circunvalado pelo jardim recoberto de hera,

as luzes, reverberadas por candeeiros concatenados,

proporcionam beatitude!


Absorto nas obras helenísticas:

as aspirações, a razão e o irracional,

os questionamentos socráticos,

a busca das verdades pelas suas ideias,

as perguntas frequentemente reveladoras...

O saber, injustamente retribuído com uma taça de cicuta!


“Acalma-te poeta, a intenção não é a de emular nem exortar...

Quais as perguntas que te fizestes ultimamente?

Do que tens medo?

Pergunta-te, sê um crítico, não hesites!

Eis o ardil, conhece-te a ti mesmo, é fundamental...”


Na presença da solitude,

refutando imagens icônicas,

repleto de perguntas.

Repasso o epítome que desafia...

Recolho-me às mais profundas nuances do ser.

As luzes, impetuosas, irrompem...

Uma epifania...

É o despertar da filosofia

O triunfo da Eudaimonia...

Compreensível? Está indo a fundo? Não...

Tudo acaba no silêncio reflexivo deste poema...

 


Paulo José Schmidt Brachtvogel é acadêmico de História da Unisinos. Amante das coisas boas e belas da vida, desde 2005 escreve sobre suas inquietações e sentimentos.


A revisão ortográfica deste texto é de total responsabilidade do seu autor ou assinante da postagem publicada. A revista Escape só responde pela revisão ortográfica das matérias, editoriais e notícias assinadas por ela.

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