Quimera

Atualizado: 9 de jun. de 2020

por Paulo José Brachtvogel

A madrugada está fria.

Meus pensamentos, como as nuvens, pairam sobre o mar,

Ouço sua poesia de sons...

Meu sono navega em meio às culapadas, à procura da calmaria...

Passa das três, ela deve estar dormindo

Procuro a constelação de Órion, o caçador e seus dois Cães...

As estrelas brilham cintilantes, como refletissem a beleza dos seus olhos...

Passa das três, e no balanço das ondas deixo-me levar...

no conforto do travesseiro, meu parceiro, que tudo sabe.

É ele que sopra os versos enquanto sonho...

São oito e oito. A contragosto, do sonho desperto.

Mesmo acordado, continuo enamorado,

Perco-me subitamente nas curvas do riso daquela pequena...

Sem perder-se da vigília o coração pulsa...

A razão estremecida de vaidade, ergue e revela-se:

“Acorda-te, já te perdestes de novo?

Essa alma de poeta, coloca amor e paixão em tudo...”

Olhar quimérico, complacente,

Vejo a pedra sob a cachoeira,

Impacta sobre ela a pressão das águas,

Com o tempo ela muda,

Torna-se resvaladiça, lapida-se!

Se ela pudesse, sairia dali?

Se saísse, continuaria mudando?

Voltaria a ser bruta?

“Desadormece-te poeta desta abstração!

Ama e observa a natureza,

Pertences a ela, pertences a ti...

Sinta o perfume das flores,

Senta-te na sombra da figueira,

Fica aqui, no alto rodeado de verde,

Observa lá longe e sem saudade

Os muros de concreto que a humanidade tanto ama”!

 


Paulo José Schmidt Brachtvogel é acadêmico de História da Unisinos. Amante das coisas boas e belas da vida, desde 2005 escreve sobre suas inquietações e sentimentos.



A revisão ortográfica deste texto é de total responsabilidade do seu autor ou assinante da postagem publicada. A revista Escape só responde pela revisão ortográfica das matérias, editoriais e notícias assinadas por ela.

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