As voltas dando voltas em mim

Atualizado: 6 de ago. de 2020

Me pego pensando nas voltas e surpresas que o mundo dá e nos permite vivenciar. E recordo de algo que aconteceu um tempo atrás. Não sei datar exatamente quanto tempo faz, mas lembro bem do chamado do meu amigo Ednézer no Messenger do Facebook. Fazia pelo menos uns 15 anos que não nos falávamos.



Na verdade, nos falamos apenas algumas vezes, considerando que nos encontrávamos somente uma vez por semana, durante seis meses que cursei a faculdade de Relações Públicas. Diante disto, conversamos, pouco mais de 20 vezes. E então, 15 anos depois, ele me chamou na rede social e eu, sequer lembrava dele. Que coisa! Cabe aqui um emocticon de vergonha!

O ano de 2004 foi conturbado, cheio de novidades e de aprendizado. Fiz somente um semestre na faculdade de Relações Públicas, e no meio dele, trocara pela faculdade de Jornalismo. O fato é que a professora de Introdução à Comunicação me olhou e me perguntou o que eu estava fazendo na faculdade de Relações Públicas, e não de Jornalismo. Eu já havia lhe contado que, àquela época, já tinha quase 10 anos de experiência em jornal.

A vida da gente é uma roda viva e gira num turbilhão. Mesmo tendo ingressado para a faculdade apenas aos 26 anos de idade e tendo ouvido que eu deveria seguir o curso de Jornalismo, outra virada me aconteceu. Pedi demissão do jornal onde eu trabalhava, para montar meu primeiro negócio – uma revista cultural. A revista durou cerca de um ano. Faliu! Não voltei para a faculdade, meu casamento terminou e eu não lembrava nem mais quem eu era, assim como não conseguia lembrar tão bem do Ednézer.

Muitos anos se passaram até eu me reerguer. Paguei dívidas da extinta revista + Movimento – este era o nome da revista, e fui trabalhar numa metalúrgica. Naquele momento, sequer poderia sonhar em voltar a trabalhar com aquilo que eu mais queria – produção cultural.

As voltas dando voltas em mim! Ironia mesmo!

Enquanto escrevo aqui, dou uma garimpada nos arquivos e consigo visualizar quando foi que o Ednézer me chamou no Messenger pela primeira vez – 23 de novembro de 2018. Reproduzo aqui, parte de nossa conversa:

- Bom dia, Cláudia! Tenho impressão que fomos colegas na Feevale. Tudo bem com você?

- Olá. Tudo bem sim e contigo?

- Tudo ótimo

Nesse momento comento que eu não me lembrava dele, pois fazia muito tempo desde que nos conhecemos. E ele agradece por eu aceitá-lo na minha “rede de amigos do Face” e larga essa mensagem:

- Sim. Nossa convivência foi pequena mesmo, mas nunca esqueci seu sorriso e sua simpatia. E a reconheci pela foto. J Abração aí!!

Depois de muitos giros e voltas, atualmente, tenho outra empresa de produção cultural que se chama Kunst Empresa de Cultura. Neste ano, ela completa cinco anos de caminhada, e é o mesmo ano em que completo 20 anos como produtora de shows.

O Ednézer não sabia o que eu estava fazendo da vida. Ele não sabia que eu trocara o curso de Relações Públicas para o de Jornalismo. Ele sequer sabia que eu tivera uma revista. E, voltando ao meu arquivo, consigo visualizar o dia em que ele me disse que pensou em mim para compor o corpo de colunistas de um projeto editorial - a revista A Caturrita - 09 de maio de 2019.

O Ednézer não faz ideia da maratona que foi o percurso de 2004 até 2018, desde o encontro no Facebook. Mas ele consegue ver hoje, uma Cláudia com mais idade do que aquela guria que usava vestido branco e rasteirinha nos pés – lembrança segundo ele próprio. Uma Cláudia que seguiu um caminho aleatório e sem volta, depois de muitas voltas. Nunca mais serei aquela Cláudia de outrora. Nunca mais serei aquela Cláudia que desistiu tantas vezes. Ele nem sabe quantas vezes precisei desistir de desistir. Mas uma coisa ele saberá: do meu sorriso e da minha empatia por este convite tão querido.

A vida é uma roda viva mesmo, sou testemunha! Depois de tantos anos, voltei à ativa e faço tudo o que eu mais amo – jornalismo e produção cultural. Sou novamente empresária. E a única faculdade que consegui cursar – porque não existe conclusão para este curso - foi a faculdade da Vida! Esta fez com que eu cultivasse pessoas como o Ednézer que, mesmo eu tendo esquecido por algum momento, ele não se esquecera de mim. E sou grata e me alegro, com o mesmo frescor que sorria há mais de década, com a mesma energia para aceitar mais um desafio que a vida me propõe. Desta vez, sem medo de falir, sem medo de esquecer o passado e, especialmente, sorrindo para o futuro.


Obrigada, Ednézer!


 

CLÁUDIA KUNST

Cláudia Kunst, produtora cultural e jornalista. Produz shows, bandas e projetos há 20 anos. É quase uma workaholic e é apaixonada por música. Adora tatuagens, carros antigos e botas empoeiradas e um pouco de solitude.


A revisão ortográfica deste texto é de total responsabilidade do seu autor ou assinante da postagem publicada. A revista Escape só responde pela revisão ortográfica das matérias, editoriais e notícias assinadas por ela.

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