Torna-me viva

Atualizado: 6 de ago. de 2020


Em teus olhos consigo sentir a leveza da lágrima que se derrama. Sempre que te vejo me sinto indefesa e sinto uma dor que faz doer até as entranhas. Mas é a lágrima que lubrifica a face e faz com que também as entranhas esmoreçam com seu encanto. Sem ressecar, sem massacrar, sem correr o risco de fazer morrer. Úmido se torna vivo.


É com meus olhos que consigo ver essa lágrima derramada e que em teu rosto descansa. Sóbria e quieta sinto o gosto amargo e morno.


O prazer toma conta de todo corpo, e não diferencia da auto piedade e do impiedoso. Sofrer por não se entregar. Por não justificar suas vontades e não arcar com elas ao ponto de me calar em teus braços.


Minha saliva se mistura à tua lágrima e provamos do mesmo veneno. Cai em tentação e o que era frio, agora ficou quente. Sem ressecar, sem massacrar. Mistura os teus sussurros indecifráveis em meus ouvidos ao murmúrio que ecoa da rua.


Teus braços seguram o que sente frágil. Tudo é frágil. Mesmo a lágrima que descansa em teu rosto. Teus olhos fecham para outra lágrima derramar e escorrer entre dois corpos que promovem a auto piedade e o impiedoso.


Quero correr, mas não posso. Tuas pernas e braços, teu peito debruçam forte em meu corpo. Úmido se torna vivo. Tua lágrima desce por teu rosto marcado da vida. Teus sinais me levam ao longe, me fazem contar tua história. Algo nos espera, sob o movimento da tua lágrima que cai leve, lenta, límpida.


 

Cláudia Kunst

Cláudia Kunst, produtora cultural e jornalista. Produz shows, bandas e projetos há 20 anos. É quase uma workaholic e é apaixonada por música. Adora tatuagens, carros antigos e botas empoeiradas e um pouco de solitude.

A revisão ortográfica deste texto é de total responsabilidade do seu autor ou assinante da postagem publicada. A revista Escape só responde pela revisão ortográfica das matérias, editoriais e notícias assinadas por ela.

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