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Um pedacinho do mundo de fotos de Bala Blauth

Atualizado: 28 de jul. de 2020

FOLHETIM #2

A fotógrafa Simone Blauth, mais conhecida como Bala, é uma hamburguense que viajou sozinha, por dois meses pela Bolívia e Peru aos 19 anos de idade. Deste momento em diante, não podemos dizer que Bala é uma cidadã hamburguense somente. Ela passou a ser uma cidadã do mundo. Esta afirmação se deve não somente por esta viagem de dois meses, na adolescência, mas por ter, a partir daí, iniciado uma trajetória de registros em imagens fotográficas pelo mundo. Encantos da natureza, colorido das pessoas e suas culturas espalhadas pelos quatro continentes, comidas, animais, vegetais... tantas coisas registradas ao longo dos anos de carreira como fotógrafa! São 40 anos trabalhando, sendo os primeiros 18 anos com Batik, patchwork e serigrafia, seguidos de 22 anos com fotografia.

Bala é formada em Publicidade e Propaganda com extensão em Projetos Culturais e Incentivos Fiscais, o que lhe trouxe uma bagagem de conhecimento resultando em diversos projetos de livros fotográficos e documentários em audiovisual. Ela participou da Leitura de Portfólios do Santander Cultural, 2009 e ficou entre os 25 fotógrafos selecionados do Rio Grande do Sul, numa exposição coletiva na Chico Lisboa - POA, com o trabalho Mulher de 44 anos. Com seu parceiro de vida, o também fotógrafo Ita Kirsch, Bala lançou alguns livros como Visões do Rio Grande, Bem Brasil, Mãos Meninas Mulheres, Costa do Brasil, Vida na Boleia e Terra de Água. Entre outros destaques, a dupla participou do ano ALEMANHA + BRASIL, em 2013 com a exposição Costa do Brasil.

Atualmente, Bala está trabalhando em pesquisa e desenvolvimento de três ensaios novos: Incertezas, Botânica do Brasil e São José do Paraíso Achado.

Nesta edição do Folhetim, Bala nos conta um pouco sobre suas aventuras pelo mundo e também do quanto é apaixonada por este terreno das artes. Este pequeno apanhado de imagens que compunha este Folhetim representa apenas uma pequena quantidade de fotografias já registradas por Bala. Mas não devemos falar de quantidade quando existe alma no mesmo espaço de criação. Por isso, vai aqui, apenas um pedacinho do mundo de fotos de Bala Blauth.

Encontre Bala nas redes sociais:

No site https://www.ummundodefotos.com/

Facebook: https://www.facebook.com/simone.blauth

Instagram: https://www.instagram.com/ummundodefotos/

© Bala Blauth fotografando no Pantanal Sul
Obtenções fotográficas no mini pantanal Marimbua - Parque Nacional Chapada Diamantina - BA
Bala no Aquário Encantado - Bom Jardim - MT

Como em toda expressão artística, fotografar também é uma forma de falarmos de nós mesmos. Segundo Bresson, "fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. É um estilo de vida”. De acordo com essa visão, de que maneira a sua experiência como fotógrafa está relacionada com a sua trajetória pessoal? Para além dos temas fotografados, o que o seu trabalho pode nos contar sobre a pessoa por detrás das lentes? O que este estilo de vida trouxe para seu cotidiano?

A fotografia entrou cedo na minha vida, pois meu pai tinha um laboratório P&B em casa que muito usou, mas de repente estava desativado. Nesse mesmo período conheci o Ita Kirsch e juntos fizemos um curso de fotografia em Porto Alegre no cine foto clube em 1982. A magia da revelação fotográfica me seduziu e passei a brincar no laboratório. Tudo era muito caro e a evolução foi lenta, mas constante. A vida profissional me levou por outros caminhos e trabalhei muitos anos com batik, patchwork e depois serigrafia. Mas a fotografia estava sempre junto e quando podia, usava a câmera e brincava com imagens. De repente me vi vivendo com um fotógrafo e fui abraçada pela magia das viagens e, quando me dei conta, tudo estava agrupado, em uma grande mistura de arte, luz, cores e formas. Na educação que recebi, o ideal era segmentar todos os assuntos, mas segui meus instintos e juntei tudo : vida, arte, viagens, emoções. Para mim, tudo é uma soma, reflexo do que vivemos e hoje uso isso na minha arte. Por isso trabalho muito com sobreposição ou recortes de imagens, num reflexo de muitos anos de serigrafia e monotipia que usava no meu trabalho com design de estampas. Comecei a bordar também, em homenagem à minha mãe que faleceu e aos poucos os bordados estão migrando para minhas fotos. De novo, somando, criando com os sentidos, dando voz ao coração. Acredito que cada foto depende do dia, de onde estou e como me sinto naquele momento, mas com certeza a natureza define meu estilo de vida e se reflete nas minhas obras. Mas sem regras, com liberdade total.


Você iniciou sua carreira num período onde a disseminação exponencial da fotografia não existia. Esta arte sofreu grandes mudanças em um espaço de tempo muito curto e muitas pessoas confundem a arte da fotografia com apenas registros fotográficos aleatórios, muitas vezes feitos de seus próprios celulares. Inclusive foi um apontamento realizado pelo fotógrafo Sebastião Salgado, em recente entrevista ao Roda Viva, na TV Cultura. Além disso, há pouco tempo foram criados, na academia, cursos específicos com graduações de fotografia para pessoas que desejam essa profissão. Como você contextualiza este tema quando temos alguns parâmetros bem específicos, que nos levam a refletir sobre o que é ser fotógrafo hoje? Diante desta nova onipresença da fotografia na vida cotidiana, quais práticas fotográficas devem ser consideradas artísticas?

Tínhamos que realmente aprendermos sozinhos, pesquisando em livros, conversando com fotojornalistas, fazendo experiências que acreditávamos serem essenciais para um aprendizado pessoal. Aprendi muito visitando museus, galerias, vendo filmes cults,

errando revelações, pois a pesquisa, mesmo intuitiva, acrescenta conhecimento.

Hoje as possibilidades se expandiram para um patamar inimaginável para quem começou na fotografia analógica. Gostava do analógico, da espera, da incerteza, dos poucos clicks. Mas a fotografia digital é um mundo estonteante, rápido, urgente e isso mexe com o fotógrafo para buscas mais intensas. A produção exarcebada de imagens num primeiro momento parecia que iria saturar o mercado, mas como passar dos anos, ocorreu uma evolução tão maravilhosa que trouxe mais pessoas, mais buscas e mais tudo para a fotografia. E agora com a fotografia com celulares, partimos para outras novas possibilidades, mais uma vez somando. Como gosta de misturar tudo, uso câmera fotográfica e uso o meu celular também. Arte é qualquer forma de expressão e ter essa liberdade é essencial nos dias atuais e podemos nos valer de inúmeras práticas fotográficas. Claro, existe um mercado que pode ou não aceitar, gostar, comprar ou não tua arte, por isso entraram em peso os curadores, que junto com o artista, pesquisa e alinham um trabalho, potencializando os múltiplos sentidos da obra de cada artista.


Em muitos anos de dedicação à fotografia e também ao audiovisual, você fez ao lado do seu companheiro de vida e igualmente ilustre fotógrafo, Ita Kirsh, inúmeras viagens ao redor do mundo, dentre elas, vários trabalhos relacionados ao Rio Grande do Sul. Conte um pouco sobre estas experiências na estrada, no mar, no ar... E como é voltar para casa após percorrer tantos quilômetros, avistar tantas belezas, culturas, etnias e costumes? O que lhe faz querer voltar para casa?

Viajei sozinha por 2 meses pela Bolívia e Peru com 19 anos, em 1981, de mochila e com uma câmera Pentax emprestada e voltei sabendo que queria conhecer o mundo. Com 23 anos fui para Europa e de lá para a Índia e Nepal, numa longa viagem de autoconhecimento. Com 28, Ita e eu nos juntamos e fomos juntos para a Africa do Sul, Suazilândia e Namíbia, voltando com as vidas transformadas e sabendo que tínhamos uma parceria muito forte. Montamos nosso primeiro audiovisual e exposição e não paramos mais. Andamos pelo mundo, mas de repente vimos que não conhecíamos a nossa terra e nossa gente e decidimos montar um grande projeto sobre o Rio Grande do Sul. Nasce nosso primeiro livro, junto com um Audiovisual e uma exposição itinerante. De novo entra a parte de pesquisa, de projeto bem estruturado, logística e claro, patrocinadores. Me especializei no uso de leis de incentivo, com cursos e muitas noites sem dormir montando projetos e apresentando para empresas. Depois ficamos mesclando viagens pelo Brasil com viagens pelo mundo, sempre em busca de imagens.

Como nossas expedições são sempre longas, se faz necessário ter um bom alicerce no projeto, que no nosso caso sempre é a fotografia, que estrutura cada expedição e dá sentido à vida naquele momento. Mas geralmente seguimos já com cronograma de tempo e metas pré estipuladas, com um objetivo final: dar visibilidade para as imagens. Para isso, tínhamos que voltar para casa, pois não existia a internet e nossa vida era aqui, perto da família e amigos. Hoje tudo ficou mais fácil, mas não menos trabalhoso.

Mas posso garantir, voltar para casa é fácil, difícil é partir, largar tudo e ir rumo ao desconhecido. Ver e vivenciar outros cenários e seus povos abre a mente e o coração, mexe no fundo da alma. Já conheci muitos lugares desse estonteante planeta e sempre volto para casa plena e feliz. Viajar e fotografar faz parte de minha vida e me ensina diariamente que estamos em constante movimento.

Na vida, não existe um plano definido, é preciso sempre procurar um novo caminho, o seu caminho!


Série São José do Paraíso Achado
Projeto CASA - 10 anos ininterruptos de obtenções fotográficas de casinhas do Brasil - 2010 a 2020
Aurora Boreal no Círculo Polar Ártico - expedições anuais com grupos
Reynisfjara Beach - Vik - Islândia
Sapphire Ice Cave - Vatnajökull Glacier - Jökulsárlón - Islândia
Kirkjufellfoss & Mt. Kirkjufell na Islândia
Reynisdrangar & Reynisfjara - a famosa black beach - Vik - Iceland
Icebergs na praia, que se desprendem do maior glaciar da Europa, Vatnajökull - Diamond Beach - Iceland.
Série - Mar sem Fim - Photomobile em Garopaba- SC
Outono - Bad Berleburg - Alemanha 2013


Série Botânica do Brasil 2 - Lagamar - PR
Série Botânica do Brasil - São José dos Ausentes - RS
Série - Incertezas - pandemia 2020
 

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Texto da matéria: Cláudia Kunst | Entrevista: Daniel Cunha  e Cláudia Kunst | Jornalista Responsável: Cláudia Kunst | Revisão Ortográfica: Juliane Sperotto | Editoração, Layout e Web Design: Daniel Cunha 

Para maiores informações mande o seu e-mail para revistadigitalescape@gmail.com

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