ISO lamento social nas lentes de biAh wehRTer

Atualizado: 12 de ago. de 2020

biAh wehRTer (sim, é assim mesmo que ela assina seu nome artístico, sendo as letras em capslock o seu diferencial, formando a palavra “ART”. Werther, inclusive, é por causa do livro de Goethe, Os sofrimentos do Jovem Werther) tem um vasto trabalho com as Artes. Ela fotografa, atua, filma, dirige, toca, canta... uma verdadeira multi artista.

© biAh wehRTer | Miguel Barbosa

E biAh e eu somos amigas de redes sociais há muitos anos. Acompanho-a faz tempo percebo, claramente, esta multiplicidade. Além, claro, de um senso crítico muito evidente.


Dia 20 de maio de 2020, uma postagem de biAh chamou minha atenção no seu Facebook. Era uma fotografia em preto e branco, de um homem com uma picareta na mão, usando um capacete de obra civil e uma retro escavadeira ao fundo. Mas o que mais me encantou na fotografia foi a dualidade daquele homem com a face marcada pelo tempo e que, com um sorriso largo quebrou a bruteza do cenário. Na legenda desta postagem, biAh relatava que estava iniciando um projeto fotográfico para uma exposição com homens trabalhando nas obras próximos a sua casa. Fiquei encantada e compartilhei a postagem. Foi ai que percebi a grandiosidade deste projeto e resolvi convidar biAh para publicarmos este trabalho incrível, chamado ISO LAMENTO SOCIAL, aqui na Escape. Como biAh está fotografando e montando acervo para a exposição, obviamente, as fotografias publicadas aqui não estarão no projeto que ainda não tem data e formato definidos devido à pandemia de COVID-19. Mas certamente, poderemos ter uma boa ideia do que virá pela frente. Além disso, iremos publicar, durante o mês de agosto, semanalmente, um texto de biAh, que retrata um pouco do cotidiano deste projeto e de todos os que fazem parte dele. Vale a pena conferir suas redes sociais e ler também suas provocações.


facebook.com/biAhweRTher/ | facebook.com/arte.biahwerther/ | instagram.com/biahwerther


Abaixo, primeiro texto, de uma série de cinco e formatação da própria biAh wehRTer, falando sobre o projeto:


ISO LAMENTO SOCIAL

meu projeto de arte para o retrato da pandemia.

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Nós, artistas independentes, ficamos sem trabalho devido à pandemia e seremos os últimos a retomar as atividades normais. Porém, todos estamos trabalhando muito, porque trabalhar sem ganhar nada é uma situação que não nos assusta, quase uma rotina.

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© biAh wehRTer | Miguel Barbosa

A labuta de quem ficou isolado do lado de fora, para manter aqueles que puderam fazer quarentena, tem algo parecido com a situação dos artistas, porque como eles temos consciência de que toda a profissão é, antes de tudo, uma responsabilidade social. Foi por isso que tantos de nós se entregaram voluntariamente a lives, escritos, doações, mentorias...

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© biAh wehRTer | Adriano

Tenho um processo lento, de muita observação, todo mundo sabe. Não tive pressa em escolher os motes dos meus projetos culturais sobre o momento que o planeta está passando. Mas me dediquei a doar máscaras e organizar ações para reunir limentos, kits de higiene e roupas; também me voltei a buscar ajuda para animais abandonados. Essas ações me pareciam mais prementes do que publicar arte.

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© biAh wehRTer | Iago

Porém, não demorou e a criação me resgatou. Basicamente, minha missão será trazer ao meu público dois trabalhos, um em vídeo e outro de retratos sobre a pandemia.

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© biAh wehRTer

Não consegui me interessar pelo que as pessoas fazem em suas casas enquanto fogem da contaminação. Meu olhar se voltou para as pessoas que se veem obrigadas a ficar isoladas do lado de fora.

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© biAh wehRTer |

Não posso deixar meu estúdio parar porque tenho que sobreviver, mas os retratos nas ruas são o foco principal.

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Pego minhas lentes e a máscara e vou retratando o isolamento social pelo outro prisma. O da rua.

São trabalhadores de obras públicas, garis, lixeiros, recicladores... Uma legião de trabalhadores invisibilizados a manter toda uma estrutura que garante conforto a quem pode se manter protegido da pandemia. Não casualmente, os locais da cidade onde vivem muitos desses operários não recebem os mesmos cuidados estruturais.

Cada pessoa que estou fotografando está de acordo e me sorri quando concorda em participar. Um sorriso que gostaria que todos conhecessem de perto. Cada um será apresentado com o nome, o que faz e, se quiser, mandará um recado sobre a pandemia :)

O projeto pode se modificar no processo.

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Se você achar interessante, compartilha, para que mais pessoas possam acompanhar o trabalho.

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Estou publicando também no meu instagram. https://www.instagram.com/biahwerther/

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Ame esses trabalhadores invisíveis e sábios, pois sem eles o seu conforto não existiria.

Um beijo

biAhweRTher

 

Cláudia Kunst, produtora cultural e jornalista. Produz shows, bandas e projetos há 20 anos. É quase uma workaholic e é apaixonada por música. Adora tatuagens, carros antigos e botas empoeiradas e um pouco de solitude.


A revisão ortográfica deste texto é de total responsabilidade do seu autor ou assinante da postagem publicada. A revista Escape só responde pela revisão ortográfica das matérias, editoriais e notícias assinadas por ela.

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